A comercialização dos produtos da agricultura familiar estimula a
economia local e, até mesmo, a nacional, o que promove a
sustentabilidade. Essa foi a principal conclusão do painel
Desenvolvimento Territorial, Sustentabilidade e Mercados, realizado na
tarde desta quinta-feira (21), na Arena Socioambiental da Rio+20.
O secretário de Reordenamento Agrário do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, Adhemar Lopes de Almeida, apresentou a
trajetória do desenvolvimento econômico e social que, na última década,
começou a se transformar. “Antes das políticas públicas dos dez anos de
governo de Lula e Dilma, desenvolvimento era sinônimo de meio urbano”,
salientou Adhemar. Para ele, o conceito de crescimento ser sinônimo de
fábricas é errado, já que a maior parte dos municípios brasileiros é de
até 50 mil pessoas. “Temos que entender que o projeto de desenvolvimento
tem que ter a ruralidade como característica forte, pois até mesmo as
cidades vivem de tudo que é gerado no interior”.
Edvalda Pereira, fundadora e coordenadora da AGENDHA, ONG baiana que
presta serviços gratuitos de Assistência Técnica e Rural e trabalha
questões socioambientais, socioprodutivas, de comunicação e de gênero no
estado, afirmou que é preciso dar visibilidade aos produtos locais que
podem contribuir com a economia local, regional, estadual e nacional.
“Já conseguimos 80 organizações de agricultura familiar que inseriram
seus produtos na alimentação escolar”, comemora a ativista,
acrescentando que essas famílias também comercializam por meio do
Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal. Ela lembrou ainda
que, até o final de 2011, mais de 28 milhões de agricultores familiares
foram inseridos nesse mercado.
Destacando a viabilidade de comercialização dos produtos oriundos do
campo nas cadeias varejistas do país, João Galassi, presidente da
Associação Paulista de Supermercados (Apas), enfatizou que quem decide o
produto é o consumidor. “É do nosso interesse ajudar a escoar a
produção da agricultura familiar, pois o desenvolvimento da comunidade e
da renda local estimula o consumo no próprio supermercado”, apontou.
Para Galassi, a capilaridade dos mercados, que atendem 20 milhões de
pessoas diariamente, é de suma importância para estimular a produção e o
crescimento sustentável.
Nessa linha, Emma Torres, conselheira sênior do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento para a América Latina e Caribe, ponderou
que é preciso conservar, mas também se beneficiar de maneira
sustentável. “A biodiversidade pode catalisar o desenvolvimento”,
assinalou Emma, citando como exemplo a Feira da Mistura, evento anual
que acontece no Peru, onde são exibidos produtos novos de todos os
ecossistemas daquele país. O negócio estimulou a abertura de
restaurantes pequenos, simples, mas de alto nível que levaram um peruano
a abrir um negócio em Nova Iorque. Segundo a representante da ONU,
quando questionado se não seria mais um restaurante internacional em NY,
o empresário citou, “trago a biodiversidade do Peru para os EUA”.
O exemplo demonstra a relevância de políticas sociais voltadas ao
estímulo do desenvolvimento territorial. O presidente da Apas citou que
programas como o Bolsa Família foram de grande avanço para o Nordeste
que passou a representar uma parcela significativa no faturamento dos
supermercados nacionais.
Porém, ainda existem problemas a serem superados. “A burocracia torna
o processo complexo e é um empecilho para o pequeno agricultor”,
afirmou Galassi, para depois apontar que é necessária uma maior
integração entre governo e setor empresarial para remediar situações
como esta.
Fonte: Site Plano Brasil Sem Miséria
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