quarta-feira, 18 de julho de 2012

Campo e cidade integrados para o desenvolvimento

A comercialização dos produtos da agricultura familiar estimula a economia local e, até mesmo, a nacional, o que promove a sustentabilidade. Essa foi a principal conclusão do painel Desenvolvimento Territorial, Sustentabilidade e Mercados, realizado na tarde desta quinta-feira (21), na Arena Socioambiental da Rio+20.
O secretário de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adhemar Lopes de Almeida, apresentou a trajetória do desenvolvimento econômico e social que, na última década, começou a se transformar. “Antes das políticas públicas dos dez anos de governo de Lula e Dilma, desenvolvimento era sinônimo de meio urbano”, salientou Adhemar. Para ele, o conceito de crescimento ser sinônimo de fábricas é errado, já que a maior parte dos municípios brasileiros é de até 50 mil pessoas. “Temos que entender que o projeto de desenvolvimento tem que ter a ruralidade como característica forte, pois até mesmo as cidades vivem de tudo que é gerado no interior”.
Edvalda Pereira, fundadora e coordenadora da AGENDHA, ONG baiana que presta serviços gratuitos de Assistência Técnica e Rural e trabalha questões socioambientais, socioprodutivas, de comunicação e de gênero no estado, afirmou que é preciso dar visibilidade aos produtos locais que podem contribuir com a economia local, regional, estadual e nacional. “Já conseguimos 80 organizações de agricultura familiar que inseriram seus produtos na alimentação escolar”, comemora a ativista, acrescentando que essas famílias também comercializam por meio do Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal. Ela lembrou ainda que, até o final de 2011, mais de 28 milhões de agricultores familiares foram inseridos nesse mercado.
Destacando a viabilidade de comercialização dos produtos oriundos do campo nas cadeias varejistas do país, João Galassi, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), enfatizou que quem decide o produto é o consumidor. “É do nosso interesse ajudar a escoar a produção da agricultura familiar, pois o desenvolvimento da comunidade e da renda local estimula o consumo no próprio supermercado”, apontou. Para Galassi, a capilaridade dos mercados, que atendem 20 milhões de pessoas diariamente, é de suma importância para estimular a produção e o crescimento sustentável.
Nessa linha, Emma Torres, conselheira sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para a América Latina e Caribe, ponderou que é preciso conservar, mas também se beneficiar de maneira sustentável. “A biodiversidade pode catalisar o desenvolvimento”, assinalou Emma, citando como exemplo a Feira da Mistura, evento anual que acontece no Peru, onde são exibidos produtos novos de todos os ecossistemas daquele país. O negócio estimulou a abertura de restaurantes pequenos, simples, mas de alto nível que levaram um peruano a abrir um negócio em Nova Iorque. Segundo a representante da ONU, quando questionado se não seria mais um restaurante internacional em NY, o empresário citou, “trago a biodiversidade do Peru para os EUA”.
O exemplo demonstra a relevância de políticas sociais voltadas ao estímulo do desenvolvimento territorial. O presidente da Apas citou que programas como o Bolsa Família foram de grande avanço para o Nordeste que passou a representar uma parcela significativa no faturamento dos supermercados nacionais.
Porém, ainda existem problemas a serem superados. “A burocracia torna o processo complexo e é um empecilho para o pequeno agricultor”, afirmou Galassi, para depois apontar que é necessária uma maior integração entre governo e setor empresarial para remediar situações como esta.
 Fonte: Site Plano Brasil Sem Miséria

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