Uma área de meio milhão de
hectares no coração da Amazônia está gerando renda e cidadania para
quase três mil pessoas que vivem na Floresta Nacional do Tapajós
(Flona), no estado do Pará, no Norte do Brasil. Com uma grande
diversidade de espécies da fauna e flora brasileira, a flona habitada
por populações ribeirinhas é rica em espécies madeireiras de alto valor
comercial. Mas até pouco tempo, a madeira não podia ser explorada
legalmente, deixando os moradores da floresta sem renda para as
necessidades do dia a dia.O pouco que ganhavam vinha da venda da farinha, do artesanato e dos pescados.
Com a legalização do
manejo florestal comunitário pelo governo federal em 2005, a vida das
comunidades começou a mudar. A Floresta Nacional do Tapajós foi uma das
primeiras a ter seu plano de manejo aprovado. As comunidades terão
31.560 hectares (5% da área) para explorar em pequenas parcelas anuais
de cerca de mil hectares cada. A parcela de floresta explorada em um
determinado ano, terá outros 32 para se regenerar, garantindo os
recursos para as novas gerações.
Para organizar a
exploração sustentável da floresta, os moradores criaram a Cooperativa
Mista Flona Tapajós Verde (Coomflona). Juntas, as comunidades deram
início ao Projeto Ambé, uma iniciativa para favorecer o uso múltiplo dos
recursos da floresta, que inclui a extração de madeira, resinas,
matéria-prima para o artesanato e o ecoturismo.
Em 2008, foram explorados
cem hectares de floresta. No ano seguinte, 300. Este ano, foram 700
hectares, que renderam 13.450 metros cúbicos de madeira. A venda do
produto obedece a regras de uma licitação pública. A vencedora foi uma
madeireira do município de Santarém, que pagou R$ 197 por metro cúbico
de madeira. As toras de Maçaranduba, Jatobá, Ipê e outras 25 espécies de
madeira foram cortadas e exportadas para os Estados Unidos e a Europa,
gerando R$ 2,6 milhões para os associados.
Hoje uma família ligada ao
projeto tem renda entre R$ 4 e 8 mil no período da safra – que ocorre
durante os seis meses do período da seca na Amazônia. “Agora já
conseguimos mandar os filhos para a escola, muitos já vão para a
faculdade”, orgulha-se o presidente da Coonflona, Sérgio Pimentel, um
dos pioneiros da iniciativa. Segundo ele, as comunidades adquiriram bens
como geladeiras e antenas parabólicas. “Boa parte da renda ainda é
usada no aluguel de equipamentos para o manejo, como tratores e
carregadeiras. Em breve, esperamos ter financiamento para comprar nossos
próprios equipamentos”, diz o líder comunitário.
Uso múltiplo da floresta
Uso múltiplo da floresta
Este ano, o projeto ganhou
o Prêmio Chico Mendes, do governo federal, na categoria Negócios
Sustentáveis. “O nosso projeto promove o uso sustentável da floresta e
inibe o desmatamento. Isso ajuda também o clima”, explica Pimentel.
Além da madeira
destinada quase que toda à exportação, o Projeto Ambé abriga outros
produtos florestais, sempre na perspectiva do uso sustentável da
floresta. Há 13 espécies das quais se pode aproveitar os frutos e
sementes,sem a necessidade de corte das árvores. São elas a
castanha-do-pará, de andiroba, de cumaru, de cumaruí e de piquiá.
Leites, óleos e resinas para aplicação industrial na área sairão de
espécies como copaíba, seringueira, amapá doce e amapaí. Há também o uso
de cascas extraídas de espécies como preciosa, quinarana, carapanaúba e
pau rosa, que serve de matéria-prima para a produção de cosméticos
comercializados internacionalmente.
Fonte: Site Portal Brasil
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