quinta-feira, 19 de julho de 2012

Hoje, o governo tem mais compromisso com o ambiente

O painel “Além do antagonismo: conservação ambiental e inclusão social”, na tarde deste domingo (17), na Arena Socioambiental da Rio+20, teve como principais focos a economia e a sustentabilidade. Beliza Ribeiro mediou as discussões, entre Wagner de Oliveira, presidente dos Correios; Rodrigo Medeiros, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; Kate Raworth, pesquisadora da Oxfam Grã-Bretanha; Manoel de Siqueira, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), na reserva extrativista Médio Juruá, no Amazonas; e Roberto Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).
O que foi feito de concreto nesses 20 anos após a Rio-92?
Wagner de Oliveira – Do ponto de vista do Brasil, nós avançamos muito. Hoje, o governo tem mais compromisso com as questões socioambientais. Quanto à preservação ambiental e à participação social, os avanços crescentes são grandes na nossa sociedade. Para preservar o ambiente, tem que levar em consideração o ser humano e incluí-lo socialmente, e o Brasil tem feito isso.
No Dia do Meio Ambiente, a presidenta Dilma anunciou a menor devastação da Floresta Amazônica dos últimos anos. Aqui, já temos na Bolsa de Valores o índice de sustentabilidade econômica. Tudo isso é avanço.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) faz 12 anos. Quais são os resultados?
Rodrigo Medeiros – O Snuc é a grande salvaguarda para a água e os recursos ambientais. Hoje, sabe-se que o investimento é baixo e que há consequências nas unidades que sofrem desmatamento.
Nessa questão, a participação social é fundamental, mas ela avança pouco. É importante dizer que a sociedade se alimenta de voz. O espaço de governança é heterogêneo e precisamos ampliá-lo. Nesse ponto, estamos distantes.
Vocês não acham que a preservação ambiental deve ser cultural e não financeira?
Kate Raworth – Como juntar economia e meio ambiente? É um debate perigoso. Algumas pessoas têm medo de enfrentar os dois. O que ocorrerá com os recursos naturais? A escolha dependerá dos países. É importante que a economia, quando se juntar à questão do meio ambiente, proteja e não explore. Temos que investir no acesso das pessoas à água, à saúde e a tudo que faça viver com dignidade. É preciso unir inclusão social e desenvolvimento sustentável para viver num mundo melhor.
Como são medidos os princípios e benefícios do programa Bolsa Verde?
Roberto Vizentin – O Bolsa Verde é uma política pública estabelecida por critérios de sustentabilidade no uso dos recursos. É um reconhecimento do trabalho e dos serviços gerados pelas populações da Região Norte, além de representar uma mudança de atitude das famílias extremamente pobres. O programa vem aumentando o número de beneficiários.
Como resolver o problema de comunidades camponesas sujeitas à expulsão? Em Belo Monte, como estão sendo incluídas as comunidades indígenas?
Roberto Vizentin – No passado, foram criadas unidades de proteção que, hoje, têm gerado conflitos. Mas essas populações (indígenas e quilombolas) estavam ali antes dessas criações, por isso há conflito. O papel do governo é garantir os direitos dessas populações.
No que diz respeito a Belo Monte, vamos assegurar os direitos dessas comunidades e haverá medidas compensatórias. Há manifestações que não correspondem ao que ocorre. Não é certo que haverá desalojamento de indígenas.
Temos que ficar atentos para as construções das grandes obras, sobretudo as hidrelétricas na região amazônica. Há preocupação do governo em prevenir isso. Se o Estado adotar medidas, poderemos fazer dos investimentos uma nova condição para aproveitar as estruturas, visando à valorização da floresta e da economia sustentável.
O que é preciso fazer para ajudar os moradores que estão na floresta?
Manoel de Siqueira – O Bolsa Verde precisa ser estendido a todos os moradores da floresta, porque todos preservam o local. Lá, o trabalho desempenhado é belíssimo.

Fonte: Site Plano Brasil Sem Miséria

Nenhum comentário:

Postar um comentário