O painel “Além do antagonismo: conservação ambiental e inclusão
social”, na tarde deste domingo (17), na Arena Socioambiental da Rio+20,
teve como principais focos a economia e a sustentabilidade. Beliza
Ribeiro mediou as discussões, entre Wagner de Oliveira, presidente dos
Correios; Rodrigo Medeiros, professor da Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro; Kate Raworth, pesquisadora da Oxfam Grã-Bretanha; Manoel
de Siqueira, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Carauari
(Asproc), na reserva extrativista Médio Juruá, no Amazonas; e Roberto Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).
O que foi feito de concreto nesses 20 anos após a Rio-92?
Wagner de Oliveira – Do ponto de vista do Brasil, nós avançamos
muito. Hoje, o governo tem mais compromisso com as questões
socioambientais. Quanto à preservação ambiental e à participação social,
os avanços crescentes são grandes na nossa sociedade. Para preservar o
ambiente, tem que levar em consideração o ser humano e incluí-lo
socialmente, e o Brasil tem feito isso.
No Dia do Meio Ambiente, a presidenta Dilma anunciou a menor
devastação da Floresta Amazônica dos últimos anos. Aqui, já temos na
Bolsa de Valores o índice de sustentabilidade econômica. Tudo isso é
avanço.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) faz 12 anos. Quais são os resultados?
Rodrigo Medeiros – O Snuc é a grande salvaguarda para a água e os
recursos ambientais. Hoje, sabe-se que o investimento é baixo e que há
consequências nas unidades que sofrem desmatamento.
Nessa questão, a participação social é fundamental, mas ela avança
pouco. É importante dizer que a sociedade se alimenta de voz. O espaço
de governança é heterogêneo e precisamos ampliá-lo. Nesse ponto, estamos
distantes.
Vocês não acham que a preservação ambiental deve ser cultural e não financeira?
Kate Raworth – Como juntar economia e meio ambiente? É um debate
perigoso. Algumas pessoas têm medo de enfrentar os dois. O que ocorrerá
com os recursos naturais? A escolha dependerá dos países. É importante
que a economia, quando se juntar à questão do meio ambiente, proteja e
não explore. Temos que investir no acesso das pessoas à água, à saúde e a
tudo que faça viver com dignidade. É preciso unir inclusão social e
desenvolvimento sustentável para viver num mundo melhor.
Como são medidos os princípios e benefícios do programa Bolsa Verde?
Roberto Vizentin – O Bolsa Verde é uma política pública estabelecida
por critérios de sustentabilidade no uso dos recursos. É um
reconhecimento do trabalho e dos serviços gerados pelas populações da
Região Norte, além de representar uma mudança de atitude das famílias
extremamente pobres. O programa vem aumentando o número de
beneficiários.
Como resolver o problema de comunidades camponesas sujeitas à
expulsão? Em Belo Monte, como estão sendo incluídas as comunidades
indígenas?
Roberto Vizentin – No passado, foram criadas unidades de proteção
que, hoje, têm gerado conflitos. Mas essas populações (indígenas e
quilombolas) estavam ali antes dessas criações, por isso há conflito. O
papel do governo é garantir os direitos dessas populações.
No que diz respeito a Belo Monte, vamos assegurar os direitos dessas
comunidades e haverá medidas compensatórias. Há manifestações que não
correspondem ao que ocorre. Não é certo que haverá desalojamento de
indígenas.
Temos que ficar atentos para as construções das grandes obras,
sobretudo as hidrelétricas na região amazônica. Há preocupação do
governo em prevenir isso. Se o Estado adotar medidas, poderemos fazer
dos investimentos uma nova condição para aproveitar as estruturas,
visando à valorização da floresta e da economia sustentável.
O que é preciso fazer para ajudar os moradores que estão na floresta?
Manoel de Siqueira – O Bolsa Verde precisa ser estendido a todos os
moradores da floresta, porque todos preservam o local. Lá, o trabalho
desempenhado é belíssimo.
Fonte: Site Plano Brasil Sem Miséria
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