De
acordo com os dados da pesquisa DataFolha 2011, a lei Maria da Penha
foi considerada um instrumento efetivo de combate à violência contra a
mulher. Entre 2009 e 2011, a confiança das pessoas na lei aumentou de
44% para 60%. Contudo, o instrumento ainda carece de ajustes. Exige-se
ainda que a vítima tenha que ir a juiz para manifestar expressamente o
desejo de ver seu agressor punido. Assim, sentencia-se a mulher ao
constrangimento e à fragilização. Muitas vezes coagida, a agredida acaba
desistindo da ação, o que inviabiliza o processo. E o agressor
permanece sem punição ou tratamento.
A
proposta do Projeto de Lei 5297/2009, de autoria da deputada Dalva
Figueiredo (PT/AP), é de que a ação penal nos crimes de violência
doméstica ou familiar contra a mulher seja tornada pública
incondicionada. Ou seja, a notícia do crime pode ser feita por qualquer
testemunha na delegacia e, uma vez instaurado o processo, apenas o
Ministério Público poderia admitir a renúncia da ação, o que exigiria
uma investigação maior da denuncia.
O
projeto se apoia na estimativa de que mais da metade das mulheres
agredidas sofram caladas e não peçam ajuda. Essa espiral do silêncio,
motivada muitas vezes pela noção de sacralização do matrimônio, gera uma
progressão de violência que culmina em homicídios. De acordo com o
Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, divulgado em julho pela
Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal e pelo Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos),
28% das mulheres assassinadas no país morrem dentro de casa.
Em
entrevista de 30 de abril de 2009 ao Correio Braziliense, a Juíza
Federal em Brasília Mônica Sifuentes, afirmou que não se pode exigir das
vítimas que tomem uma decisão que muitas vezes não têm condições nem
físicas nem psicológicas de tomar. “Não é justo que o Estado
simplesmente lave as mãos, mande a agredida de volta para casa e faça de
conta que nada ocorreu”, acusou.
De
acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo
Federal, o perfil da mulher que entra em contato com o serviço é, na sua
maioria, parda (46%), tem entre 20 e 40 anos (64%), cursou parte ou
todo o ensino fundamental (46%) e convivem com o agressor há mais de dez
anos (40%). Em 72% das situações, os agressores são os maridos.
A
pesquisa do DataFolha verifica também que a opinião das pessoas é de
que a violência aumentou. Na interpretação do instituto, o que aumentou
foi a percepção da violência. A visibilidade dada pela mídia à lei fez
com que as pessoas se conscientizassem mais do que é a violência
cometida contra a mulher e gerou a sensação de aumento do número de
casos.
Fonte: Site Dep. Dalva Figueiredo
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