O Governo Federal, em parceria com estados e municípios, alia a
superação da extrema pobreza à proteção ao meio ambiente. Nesta
quarta-feira (28), na capital do Amazonas,
a presidenta Dilma Rousseff, ao lado de ministros, governadores e
prefeitos, lançou o Programa de Apoio à Conservação Ambiental (Bolsa
Verde), uma das estratégias do Plano Brasil Sem Miséria. As famílias
beneficiárias receberão R$ 300, a cada trimestre, pelos serviços de
conservação ambiental. A meta é atender 18 mil famílias este ano e
chegar a 73 mil até 2014.
O Bolsa Verde, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA),
incentiva a conservação dos ecossistemas brasileiros e promove a
cidadania dos moradores dessas áreas. O valor será transferido por meio
do cartão do Bolsa Família. O governo capacitou técnicos de várias
partes do País para atuarem no programa. Em outubro, 3,5 mil famílias já
começam a receber o benefício. É o caso da beneficiária acreana Leonora
Siqueira Maia, que receberá o Bolsa Verde junto com o benefício do
Bolsa Família. “Com a complementação, vai valer a pena preservar a nossa
área e a nossa água”, comemorou a moradora do município de Sena
Madureira.
Para a presidenta Dilma Rousseff, a viabilidade do Brasil Sem Miséria
somente será viável se ficar acima das diferenças partidárias e se
“tivermos nossas cabeças, sentimentos e esforços voltados para a
resolução desse grave problema de nosso País, que é a existência da
população extremamente pobre”. Segundo ela, o Bolsa Verde é fundamental
para contribuir para o modelo de crescimento brasileiro. “Esse é o
casamento entre melhoria de renda e melhoria do meio ambiente”,
concluiu.
As atividades de proteção ambiental podem ser desenvolvidas em
florestas nacionais, reservas extrativistas e de desenvolvimento
sustentável, além de projetos de assentamento florestal, de
desenvolvimento sustentável e de assentamentos extrativistas do Incra.
Proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), extrativismo com
base em boas práticas e pesca com manejo adequado são algumas das
atividades de preservação ambiental a serem contempladas pelo Bolsa
Verde.
O monitoramento do Bolsa Verde será feito por meio do satélite do
Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que mapeará as áreas onde vivem
as famílias atendidas. Também haverá visitas aos locais para avaliar o
impacto da iniciativa. O programa, de acordo com o MMA, não impede
plantações, desde que feitas de forma sustentável.
Para participar do Bolsa Verde, é preciso que o responsável pela
família beneficiada se cadastre no programa. Atualmente, oito mil
famílias já estão cadastradas e assinaram o termo de adesão. Dados do
governo mostram que a criação e manutenção de unidades de conservação,
onde estão 9% da água captada para consumo humano, impediram a emissão
de 2,8 bilhões de toneladas de carbono.
Governadores e prefeitos – No encontro, o Governo Federal, os governadores Tião Viana (Acre), Omar Aziz (Amazonas),
Camilo Capiberibe (Amapá), Simão Jatene (Pará), Confúcio Moura
(Rondônia), José de Anchieta Júnior (Roraima) e Siqueira Campos
(Tocantins) e as associações de municípios assinam termo de compromisso
para superar a miséria na região. Além do Bolsa Verde, estão previstas
ações de localização e cadastramento da população extremamente pobre que
ainda não recebe benefícios sociais, de aquisição de alimentos
produzidos pela agricultura familiar, de qualificação profissional nas
áreas rural e urbana e de complementação financeira do Bolsa Família.
O objetivo é retirar da extrema pobreza 2,65 milhões de brasileiros
que vivem na Região Norte. Nos sete estados, 56% da população mais pobre
estão na área rural. No País, a meta do Brasil Sem Miséria é atender
16,2 milhões de pessoas (17% delas na Região Norte), com transferência
de renda, acesso a serviços públicos nas áreas de educação, saúde,
assistência social, saneamento e energia elétrica, e inclusão produtiva.
O governador Anchieta Júnior enfatizou que essa integração é
fundamental para que políticas públicas sejam feitas de forma
diferenciada. “Roraima se coloca à disposição para que esses objetivos
sejam alcançados o mais rápido possível.” Camilo Capiberibe ressaltou
que “estamos todos convocados a resgatar a dignidade de todos esses
brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.” Já Confúcio Moura
apresentou o cartão que representa a parceria entre o programa de
Rôndonia, o Plano Futuro, e o Brasil Sem Miséria. “Precisamos trabalhar a
complementação de renda dos segmentos não atingidos, como as reservas
extrativistas estaduais.” Segundo Tião Vianna, quando se fala num
programa como o Brasil Sem Miséria, não se fala numa ilha. “Você está
longe, mas pode estar perto dessas unidades de produção da castanha, da
borracha. Você também pode participar”.
Siqueira Campos disse que a criação do Brasil Sem Miséria foi muito
oportuna: “A importância é fundamental para nosso estado. Temos hoje em
Tocantins 108.685 famílias com renda de até R$ 70, e 13.689 delas com
renda zero. Esperamos mudar substancialmente essa realidade cruel.”Para
Simão Jatene, uma das virtudes do programa lançado hoje é o convite a
todos os governadores brasileiros a eliminar a miséria no País. “Este é o
momento de estender a mão a todos os estados, independentemente das
diferenças.” Ao encerrar as falas dos governadores, Omar Aziz alertou
para a importância da discussão das políticas estaduais com a
participação da comunidade. “A parceria do estado com os ministérios e
com o Brasil Sem Miséria é uma maneira de dar continuidade ao nosso
trabalho com essas comunidades, que chamamos de Bolsa Floresta. Essa
caminhada não é mais apenas minha, é nossa. Vamos avançar juntos”,
frisou.
Bolsa Família - Durante o evento, a ministra do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e os governadores Camilo
Capiberibe (Amapá) e Confúcio Moura (Rondônia) assinam acordo para
complementar o valor do Bolsa Família. No Amapá, a medida vai integrar
as ações estaduais – Renda para Viver Melhor, Bolsa Família Cidadã e
Amapá Jovem – ao programa federal de transferência de renda. A meta é
atender 30 mil famílias. Em Rondônia, os beneficiários extremamente
pobres, com renda mensal inferior a R$ 70, vão receber complementação de
renda do governo do estado no valor de R$ 30 por membro da família, até
o limite de cinco integrantes, ou o valor total de R$ 150.
Tereza Campello afirmou que os governadores e prefeitos são os
grandes parceiros da construção do Brasil Sem Miséria. “Este é um
momento decisivo. Trata-se de um plano nacional, que busca olhar cada
uma das regiões em suas diferentes faces.” Segundo ela, este é o grande
sentido dos pactos regionais: “Já fizemos o Pacto Nordeste e o Sudeste.
Este é o terceiro pacto. As próximas regiões serão a Centro-Oeste e a
Sul. A população não quer favor. Quer oportunidade e condições de
trabalho. Quer acesso a mercados, oportunidades e informações”, disse.
A ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, reforçou a
valorização das comunidades tradicionais e extrativistas na busca por um
país considerado modelo de desenvolvimento sustentável e a importância
das parcerias. O representante dos extrativistas da Região Norte, Nelson
Martins da Silva, afirmou que o Bolsa Verde traz muitas melhorias para
as famílias. “Em minha comunidade, em Bragança, já somos 1.649 famílias
atendidas pelo programa, que proporciona a todos uma chance de se
aperfeiçoar e montar uma estrutura adequada na luta pela conservação e
preservação do meio ambiente.”
Também participaram do evento os ministros Afonso Florence
(Desenvolvimento Agrário) e Helena Chagas (Secretaria de Comunicação
Social), prefeitos, empresários do setor de supermercados, lideranças da
região e beneficiários dos programas sociais.
Busca Ativa – Para agilizar o cadastramento e a atualização dos dados
das famílias beneficiárias, o governo anuncia a instalação de 166
antenas fixas de conexão com internet, via satélite, em 160 municípios
do Acre, Pará, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Roraima e Amazonas.
Os equipamentos, que serão colocados por meio de acordo com o Centro
Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), do
Ministério da Defesa, possibilitam a identificação de comunidades que
vivem em regiões mais isoladas, sem conexão à rede de computadores.
A iniciativa compõe as diferentes estratégias do governo para
localizar e cadastrar pessoas que ainda não acessam os programas
sociais. O objetivo da ação, chamada Busca Ativa, é levar o Estado até a
população mais pobre, com prevenção de situações de vulnerabilidade e
risco social, oferta de serviços públicos próximo do local de moradia
das famílias e identificação das que não recebem os benefícios a que têm
direito, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada
(BPC).
Brasil Sem Miséria fortalece agricultura familiar
Ao assinar convênio com o governo do Amazonas
nesta quarta-feira (28), em Manaus, durante evento do Brasil Sem
Miséria no Norte, o Governo Federal amplia o Programa de Aquisição de
Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) na região. A ação, no valor de
R$ 2,5 milhões, atenderá 683 agricultores familiares, de 17 municípios,
para adquirir 850 toneladas de alimentos e distribuí-las a 34 entidades
socioassistenciais.
Também será firmado contrato entre a Prefeitura de Manaus e a
Cooperativa Agroindustrial dos Produtores do Projeto de Assentamento
Uatumã para distribuir alimentos a 430 escolas da cidade, via Programa
Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Ministério da Educação. Ao
todo, 260 mil alunos terão reforço na alimentação escolar, com produtos
como banana, mamão, arroz, couve e abóbora, entre outros. O valor do
contrato é de quase R$ 3,5 milhões e beneficiará mais de mil
agricultores familiares.
Supermercados – Ainda durante a cerimônia, as afiliadas da Associação
Brasileira de Supermercados (Abras) na Região Norte firmarão
compromisso de adquirir alimentos de agricultores familiares em seus
estabelecimentos. Além disso, há previsão de que os empresários do setor
comecem a contratar pessoas que integram o Cadastro Único para
Programas Sociais do Governo Federal. O Maranhão, que não faz parte da
Região Norte, também será favorecido nessa ação.
A rede de supermercados Araújo, do Acre, assinará acordo para
comercializar produtos da Cooperativa dos Fornecedores de Aves de
Brasileia (Agroaves). O volume mensal de alimentos será de 175
toneladas, e 150 agricultores familiares serão beneficiados pelo
negócio, que deve movimentar mais de R$ 740 mil por mês.
No Norte do País, 1,5 milhão de pessoas vivem em zonas rurais em
situação de extrema pobreza. A região abriga 2,65 milhões dos 16,2
milhões de brasileiros nessa condição. Números recentes do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 70% dos
alimentos que vão à mesa dos brasileiros são produzidos por agricultores
familiares. Anualmente, o País bate recordes na produção de grãos e em
muitas áreas do agronegócio é o número um no mundo. No entanto, essa
riqueza não chega a 7,5 milhões de pessoas que vivem na zona rural e são
identificadas como extremamente pobres. Elas representam 47% dos 16,2
milhões de brasileiros nessa situação.
Região Norte – População em extrema pobreza
Acre – 121.290
Amapá – 82.924
Amazonas – 648.694
Pará – 1.432.188
Rondônia – 121.290
Roraima – 76.358
Tocantins – 163.588
Acre – 121.290
Amapá – 82.924
Amazonas – 648.694
Pará – 1.432.188
Rondônia – 121.290
Roraima – 76.358
Tocantins – 163.588
Total – 2.658.452
Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2010
Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2010
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