quarta-feira, 18 de julho de 2012

Haiti quer reforçar parceria com o Brasil para combater a pobreza

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 deste mês no Rio de Janeiro, serviu para que o Haiti pedisse ao Brasil para fortalecer o apoio às ações de combate à fome e à pobreza naquele país.

Na última sexta-feira (22), a secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Maya Takagi, recebeu em audiência a primeira-dama do Haiti, Sophia Martelly, no pavilhão da delegação do Brasil no Riocentro. Além de discutir o apoio brasileiro ao país, Martelly pediu uma visita de campo às comunidades beneficiadas pelos equipamentos públicos sob a coordenação do MDS.

Em janeiro deste ano, o presidente do Haiti, Michel Joseph Martelly, e Sophia lançaram o Programa Nacional de Luta contra a Fome e a Desnutrição – Aba Grangou, um esforço conjunto que envolve muitos parceiros e a participação de representantes das Nações Unidas, organizações não governamentais (ONGs), organizações populares e especialistas em segurança alimentar. O objetivo é reduzir pela metade o contingente da população haitiana que sofre de fome até 2016 e erradicá-la completamente até 2025.

Desenhado em três eixos estratégicos – programas de segurança social, investimento agrícola e melhoria de serviços básicos –, o programa haitiano mobiliza nove ministérios, sete organizações independentes e a Cruz Vermelha haitiana. A proposta é implantar 21 programas de governo, que serão federados, reforçados e harmonizados. A partir deste ano, 10 mil agentes de desenvolvimento serão mobilizados em todo o país para acompanhar as famílias beneficiadas.

A primeira-dama preside a comissão responsável por coordenar e controlar as atividades do programa Aba Grangou. Além dela, participaram da reunião com a secretária Maya Takagi o diretor executivo do programa haitiano, Jean Brutus Aba Grangou, a secretária da Embaixada do Haiti no Brasil, Natália dos Anjos Marques, o coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Milton Rondó, e a chefe da Assessoria Internacional do MDS, Aline Soares, entre outros.

A delegação haitiana fez ainda uma visita de campo para conhecer as políticas sociais do governo brasileiro. Jean Brutus visitou uma unidade da Biblioteca Parque e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da comunidade da Rocinha, além de uma unidade do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) no Cantagalo. A primeira-dama haitiana visitou o Restaurante Popular da Cidade de Deus.

Parcerias – Atualmente, o MDS tem um projeto com o Haiti, em conjunto com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), para construção de cisternas de captação e armazenamento da água da chuva. A primeira fase foi concluída em fevereiro de 2011 com a construção de 64 tanques familiares e seis em escolas selecionadas. A segunda fase, com previsão de mais 170 cisternas, aguarda apenas a assinatura do governo haitiano.

Além disso, o MDS, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estudam ações para fortalecer a agricultura familiar e a segurança alimentar e nutricional naquele país, também por meio da ABC. Esse projeto consiste no diagnóstico da realidade do Haiti para a implantação de projeto piloto para a agricultura familiar nas áreas de compras públicas e de assistência técnica rural.

Em janeiro deste ano, em seminário no Haiti, o projeto destinado à agricultura familiar foi apresentado à comunidade internacional, a fim de torná-la uma proposta do governo brasileiro. Ele agora está em análise pelo governo haitiano.

Fonte: Site Plano Brasil Sem Miséria

Nenhum comentário:

Postar um comentário